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Governo prepara pacote para habitação
A alegria durou pouco. O mercado imobiliário brasileiro, que vivia em 2008 o ano dourado de expansão, foi obrigado a pedir socorro ao governo para salvar as construtoras da crise. E vai ser atendido. O governo deve anunciar um pacote bilionário, com verbas de R$ 2,5 a R$ 4 bilhões, para financiar as empresas do setor. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo poderá criar uma linha de financiamento a partir do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), o que exigiria mudanças na legislação.
Os empresários do setor pediram ao governo recursos para que sejam aplicados na conclusão de empreendimentos imobiliários, compra de ativos das construtoras, linha de crédito para descontar os recebíveis e processos de fusão e incorporação dos empreendimentos imobiliários. O pacote de medidas vai envolver o BNDES e a Caixa Econômica Federal.
A Caixa vai lançar linha de crédito especial para o capital de giro e o BNDES participará do capital de empresas com ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo. O papel do BNDES vai ser o de fortalecer as empresas para a transição entre a crise e a normalidade de mercado, evitando quebradeira no setor. O objetivo emergencial é assegurar a conclusão de projetos previstos para 2009.
O governo precisa apenas bater o martelo em relação ao valor do pacote. As medidas aguardam a aprovação dos ministérios do Planejamento e da Fazenda e o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A estimativa é que o setor cresça em torno de 8,5% este ano em relação a 2007, mas os números de 2009 podem ficar comprometidos. Para o próximo ano, é previsto o mesmo crescimento, em torno de 8,5%.
O crédito para as construtoras em meio à turbulência econômica é necessário, segundo Teodomiro Diniz Camargos, vice-presidente da Câmara da Construção da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). "Os recursos da bolsa acabaram e, no crédito imobiliário para o consumidor, muitos bancos começaram a aumentar a taxa de juros. Com a verba, o governo reduz espaço para outros bancos subirem suas taxas", observa.
O momento é de expectativas, segundo Ricardo Catão Ribeiro, vice-presidente de políticas, relações trabalhistas e de recursos humanos do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG). "Ainda é cedo para falar dos efeitos da crise para o setor. A estimativa de lançamentos em série foi quebrada, mas vamos aguardar. De qualquer forma, a ajuda do governo é bem-vinda", observa.
Fonte: Estado de Minas















